Quero suturar a ferida com a mesma velocidade em que me lembro dela.
Colapsos mentais.
a questão sobre o fim é que ele ficou martelando na minha cabeça durante meses, enquanto eu me culpava sobre o que poderia ou não ter feito pra que a gente continuasse juntos. mas as perguntas estavam erradas. o que eu estava tentando obter do universo não era a resposta do porquê de você ter ido embora, mas sim um sinal de que pudesse dar certo novamente.
mas adivinha? não deu.
você não retornou minhas ligações, eu também parei de correr atrás, fomos nos distanciando dia após dia, caminhando para lugares distantes, com outras pessoas e sensações. enquanto eu tentava me curar do que você foi na minha vida, você também tentava se curar, provando de outras línguas, transformando o conceito de casa, outrora nosso, em uma história que ria e compartilhava com alguém que não eu.
eu só fui entender que não havia necessidade de me culpar quando percebi que, independente do que acontecesse, continuaríamos sendo parte importante um da vida do outro. sem ligações no meio da noite, sem parabéns no aniversário, sem mãos dadas em festas, resenha na casa dos amigos, viagens e declarações silenciosas, que a gente recebe num afeto ou cuidado pequeno. eu entendi que não precisava me culpar ou te esperar. que estava tudo bem seguir a vida, pois você já o fazia e nada mais justo, natural e humano do que eu caminhar também.
o universo não me deu sinal algum de que voltaríamos a ficar juntos e hoje penso muito sobre essa necessidade que nós temos de obter respostas. às vezes, não há nada. às vezes, o que tem é o vazio, o buraco, a perda e a ausência. às vezes, o que nos resta é chorar, depois secar as lágrimas, respirar fundo e se dar conta: acabou. foi bom, durou o que precisava, mas há outros corações esperando. outras histórias, com pessoas novas e completas, que anseiam por uma oportunidade de nos encantar.
permita-se conhecer outras pessoas e caminhos, você merece isso.
“Eu estava apaixonado por ela. Muitas vezes pensei em lhe escrever para dizer como ela era maravilhosa, mas, não sei por que, nunca escrevi.”
— Charles Bukowski.